Não é por causa de uma cadeira. É por causa daquilo que a cadeira representa.
O Bauhaus nasceu na Alemanha, mas tornou-se universal: linhas simples, funcionalidade, arquitectura moderna, circulação internacional de ideias. Para muitos, é uma das grandes contribuições alemãs para a cultura do século XX.
Para sectores da AfD da Saxónia-Anhalt, esse é precisamente o problema. O Bauhaus surge como símbolo de desenraizamento: uma estética moderna, internacional, pouco ligada à ideia de tradição nacional.
É aqui que o caso deixa de ser apenas artístico. A AfD defende uma política cultural mais “patriótica”. Isso pode significar outra hierarquia de apoios, currículos e instituições: menos cultura vista como cosmopolita; mais cultura apresentada como nacional, enraizada e identitária.
Não há prova de que a AfD queira proibir o Bauhaus. O ponto é mais subtil: mudar o seu significado público. De orgulho moderno da Alemanha para símbolo suspeito de uma Alemanha demasiado aberta ao mundo.
E é por isso que o caso justifica atenção. Porque as culturas raramente mudam apenas quando se apagam obras. Também mudam quando se muda a forma como elas são explicadas.
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