Itamar Ben-Gvir, líder do partido de direita radical israelita e ministro da Segurança Nacional de Israel, é o rosto de um sionismo político radical, ultranacionalista religioso e supremacista, que tem conseguido desbaratar a memória judaica do Holocausto, que legou à consciência universal, contribuindo para retomar uma onda antissemita perigosa. A responsabilidade pelo antissemitismo é sempre dos antissemitas; mas governos moralmente degradados oferecem-lhes matéria inflamável.
Nos últimos dias contribuiu para cristalizar a imagem de uma administração israelita que está longe de representar uma continuidade dos padrões morais e normativos ocidentais no Médio Oriente, ao participar da humilhação dos tripulantes da Flotilha ativista e humanitária que foi intercetada em águas internacionais e cujos participantes foram detidos pelas autoridades israelitas, gravando e divulgando os vídeos. A humilhação pública de detidos, ainda por cima transformada em espetáculo político, é uma das marcas mais reveladoras da política iliberal: o poder deixa de se limitar a punir e passa a encenar a degradação do adversário.
