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domingo, 21 de junho de 2026

O regime mudou. Ou mudou a narrativa?

Donald Trump encarna o mundo de Orwell da pós-verdade, em que os factos se submetem à narrativa do momento, e as contingências desse momento são retrospetivas, ou seja, ajudam a recompor a história e a memória.

É, por isso, que o memorando de entendimento negociado com o Irão nos é vendido como uma vitória retumbante pelo presidente norte-americano, porque a urgência é maior do que as tecnicidades políticas de um conflito que só por ilusão de glória Trump achou que poderia ganhar.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Irão

O regime dos ayatollahs é produto da desordem americana no mundo, no seu papel de polícia geopolítico, que tanto garante o Direito Internacional quanto o viola, pela mais velha das razões políticas: recursos. A «Operação Ajax» removeu um governo legítimo, criou uma autocracia laica e plantou o ressentimento anti-imperial e anti-ocidental que abriu caminho para a Revolução Iraniana, de 1979, que instalou um regime teocrático repressivo e sanguinário.

Qualquer simpatia pelo regime dos ayatollahs é uma posição ideológica incompreensível e moralmente inaceitável, já que não se pode defender os direitos das mulheres e das minorias quando o contexto se enquadra na grelha anti-Ocidental e decolonial, e aceitar essas violações a coberto de uma visão extensiva do relativismo cultural.