É, por isso, que o memorando de entendimento negociado com o Irão nos é vendido como uma vitória retumbante pelo presidente norte-americano, porque a urgência é maior do que as tecnicidades políticas de um conflito que só por ilusão de glória Trump achou que poderia ganhar.
Enquanto Donald Trump nos diz que o regime mudou, que é mais moderado, que o Irão já não tem ameaça nuclear, e que tudo está melhor do que nunca, a realidade impõe-nos outro retrato: o regime permanece opressor do seu povo, com execuções em escalada, o Irão sai politicamente capitalizado no plano regional, o programa nuclear será negociado posteriormente, num prazo já a contar, e sem garantias de um acordo melhor do que o de Obama que Trump tanto criticou, e o que temos por vitória é a abertura do Estreito de Ormuz, cuja circulação já era objeto de disputa antes deste desfecho, e que agora o Irão abre e fecha à sua vontade, mediante a atuação regional de Israel.
Mas isso não interessa para nada – Trump disse que “adora a inflação”, aumentou a sua riqueza em milhares de milhões, e controla a narrativa que chega ao seu eleitorado, numa América cada vez mais iliberal. A lição orwelliana foi bem estudada.

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