O regime dos ayatollahs é produto da desordem americana no mundo, no seu papel de polícia geopolítico, que tanto garante o Direito Internacional quanto o viola, pela mais velha das razões políticas: recursos. A «Operação Ajax» removeu um governo legítimo, criou uma autocracia laica e plantou o ressentimento anti-imperial e anti-ocidental que abriu caminho para a Revolução Iraniana, de 1979, que instalou um regime teocrático repressivo e sanguinário.
Qualquer simpatia pelo regime dos ayatollahs é uma posição ideológica incompreensível e moralmente inaceitável, já que não se pode defender os direitos das mulheres e das minorias quando o contexto se enquadra na grelha anti-Ocidental e decolonial, e aceitar essas violações a coberto de uma visão extensiva do relativismo cultural.
Paralelamente, é importante reconhecer que a ação norte-americana não visa garantir um caminho para a democracia, já que tal experiência correu mal no passado em países onde a história e o orgulho nacional são inferiores ao caso iraniano e, em segundo lugar, só aparece pela combinação de dois fatores: o papel geoeconómico do Estreito de Ormuz e o papel regional de Israel, quer como vítima, quer como agressor, quer como “proxy” americano.
Por fim, a escalada militar na região, com o Irão a atacar vizinhos regionais, parceiros dos Estados Unidos, não augura nada de bom. O risco de escalada é cada vez maior, com Israel a aproveitar para realizar ações estratégicas no Líbano, a Rússia e a China a terem uma participação cirúrgica e calculada, e Zelensky a aproveitar para ganhar capital político. Cada ação americana e cada reação iraniana apontam para um diálogo cada vez mais difícil.
Todavia, é evidente que se o regime iraniano quer sobreviver, seja teocrático antiocidental ou por via de ditadura pró-ocidental, terá de acabar com o seu programa nuclear. Mas acabará com os proxies como o Hezbollah ou os Huthis?
Aquilo que gostaria de ver era uma sociedade iraniana onde a autodeterminação, os direitos humanos e o direito internacional vigorassem. A julgar pela ação na Venezuela, Trump pode apenas querer ganhos de causa, falhando ao apelo de regime change.
© fotografia de Shimabdinzade

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