Mostrar mensagens com a etiqueta pobreza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pobreza. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de maio de 2026

O país que não se vê

O relatório “Portugal, Balanço Social 2025”, da Universidade Nova, é claro: apesar da redução do índice de pobreza em Portugal, persistem desigualdades e um número muito elevado de crianças está abaixo do limiar da pobreza. Idosos e famílias monoparentais estão, igualmente, em risco. Estes dados são preocupantes.

De acordo com o relatório, em 2025, 15,4% da população residente estava em risco de pobreza, correspondendo a cerca de 1,66 milhões de pessoas. Isto representa uma descida face a 2024, quando a taxa era 16,6% (pp. 31–32). Mas a esse dado positivo é necessário acrescentar marcadores sociais que mapeiam a pobreza em Portugal. Assim, os grupos onde a pobreza aparece de forma mais estrutural são os desempregados, agregados com muito baixa intensidade laboral, famílias monoparentais, idosos sozinhos e famílias numerosas, a que acrescem as populações de baixa escolaridade e territórios pouco povoados. Neste capítulo, a distribuição regional de pobreza aponta para o Alentejo, os Açores, a zona Oeste e Vale do Tejo e para o Centro como especialmente incidentes. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

14.000 sem-abrigo em Portugal

create-a-highly-detailed-hiper-realistic-and-leica

Os últimos dados revelam a existência de mais de 14.000 pessoas em situação de sem-abrigo em Portugal,  número que tem vindo a crescer de forma consistente, ano após ano. Esta curva de crescimento não é um acidente estatístico nem uma fatalidade inevitável. Pelo contrário, é um sintoma político e social, sobretudo quando surge associada, não tanto a problemáticas psicológico-psiquiátricas, mas à precariedade laboral, aos rendimentos insuficientes e à erosão das redes de proteção.

A verdade é simples e dura: quando o trabalho deixa de garantir dignidade, quando a remuneração não chega para uma renda, quando a instabilidade se torna regra, quando a vida se organiza em torno do “desenrasca” permanente, a exclusão deixa de ser uma exceção ou uma margem de erro. Passa a ser um resultado previsível de um sistema que combina mercado de habitação disfuncional, serviços públicos incapazes de responder com rapidez e escala, e políticas que não travam a queda antes do fundo.

Nessas condições, o sem-abrigo não é apenas uma tragédia individual: é um problema estrutural de um capitalismo errático, que tolera a concentração de riqueza desmesurada num número ínfimo de pessoas ao mesmo tempo que empurra milhares para a vulnerabilidade. Um país mede-se pelo bem-estar dos mais pobres e não pela prosperidade dos mais ricos.