Assistir aos debates presidenciais de André Ventura é um importante exercício analítico sobre as metamorfoses, contorções e plasticidades de um político hábil da chamada PRR, ou seja, populist radical right. Este último debate com António José Seguro espelha o modo como o líder do Chega vai navegando entre dois estilos: um institucional, que se preocupa com a inclusão social dos imigrantes, muito social-democrata, e um “das arruadas” e das redes sociais, que casa desinformação com populismo barato.
É verdade que o primeiro, seja competência que lhe é devida, poderia dar um grande contributo à República e à democracia, mas André Ventura optou por priorizar o segundo como plataforma de rápida ascensão. A culpa, no final, não é dele – é dos partidos históricos que se tornaram máquinas fechadas e de renovação interna, sem ligação à sociedade civil e aos ressentimentos dos vários setores sociais.
O ponto, aqui, porém, não é esse – a dúvida que se suscita é a de saber se André Ventura manterá a moderação estratégica para capturar o voto ao centro-direita, ou se optará, mais tarde ou mais cedo, por apenas arregimentar os “seus” e mobilizá-los com um discurso “contra o sistema”.
E se por acaso tem a sorte, ou o azar, de ser eleito? Qual André Ventura será presidente da república? A minha apostaria seria numa versão Giorgia Meloni. Mas é pouco provável que venhamos a testar a hipótese.

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