domingo, 21 de junho de 2026

O regime mudou. Ou mudou a narrativa?

Donald Trump encarna o mundo de Orwell da pós-verdade, em que os factos se submetem à narrativa do momento, e as contingências desse momento são retrospetivas, ou seja, ajudam a recompor a história e a memória.

É, por isso, que o memorando de entendimento negociado com o Irão nos é vendido como uma vitória retumbante pelo presidente norte-americano, porque a urgência é maior do que as tecnicidades políticas de um conflito que só por ilusão de glória Trump achou que poderia ganhar.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

De Southampton a Belfast: quando a integração falha, o nativismo avança

As sociedades só subsistem havendo “contrato social”, um chão comum assente em normas partilhadas e instituições legítimas que ordenam o caos social em convivência, ordem e previsibilidade. Um dos mitos das sociedades ocidentais da última metade do século XX é o de que sociedades abertas geram sempre inclusão.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Nenhum povo conserva o capital moral da sua dor histórica quando perde a empatia

Itamar Ben-Gvir, líder do partido de direita radical israelita e ministro da Segurança Nacional de Israel, é o rosto de um sionismo político radical, ultranacionalista religioso e supremacista, que tem conseguido desbaratar a memória judaica do Holocausto, que legou à consciência universal, contribuindo para retomar uma onda antissemita perigosa. A responsabilidade pelo antissemitismo é sempre dos antissemitas; mas governos moralmente degradados oferecem-lhes matéria inflamável. 

Nos últimos dias contribuiu para cristalizar a imagem de uma administração israelita que está longe de representar uma continuidade dos padrões morais e normativos ocidentais no Médio Oriente, ao participar da humilhação dos tripulantes da Flotilha ativista e humanitária que foi intercetada em águas internacionais e cujos participantes foram detidos pelas autoridades israelitas, gravando e divulgando os vídeos. A humilhação pública de detidos, ainda por cima transformada em espetáculo político, é uma das marcas mais reveladoras da política iliberal: o poder deixa de se limitar a punir e passa a encenar a degradação do adversário.