quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Ainda as casas de banho

A discussão sobre o acesso a casas de banho e outros espaços segregados por sexo tornou-se um dos pontos mais sensíveis das chamadas guerras culturais. Entre o direito à autodeterminação e as exigências de privacidade, segurança e proporcionalidade, o debate expõe uma colisão de direitos que dificilmente se resolve por slogans.

A autodeterminação/identidade de género é um tema que integra fortemente as ditas «guerras culturais», ao centralizar a sexualidade, a autodeterminação e a moral social numa tensão entre progressismo woke e reação ultraconservadora. Para aqueles que a defendem, a identidade de género é uma construção social, algo que se faz e se aprende a fazer. É a teoria da performatividade de Judith Butler. Há boas razões para considerar que a teoria de Butler abusou do pós-modernismo e da sua tendência para a desconstrução como fim em si mesmo. Há inúmeras evidências de que a biologia importa, embora a forma como cada género se comporta socialmente seja também uma evidência de reprodução social. As crianças aprendem por modelagem, isto é, copiando os mais velhos.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Porque a cultura nacional ainda importa

A celebração da seleção norueguesa no Campeonato do Mundo trouxe consigo uma imagem inesperada. Depois de cada vitória, os jogadores simulam uma remada viking, evocando uma das figuras mais conhecidas da história e da memória coletiva da Noruega. Um gesto simples, quase lúdico, que rapidamente passou a fazer parte da identidade daquela equipa.

Como acontece tantas vezes, não demoraram a surgir críticas. Houve quem visse na remada uma glorificação de um passado nacionalista, uma romantização da herança viking ou até uma forma de exclusão simbólica.

Mas talvez a questão mais interessante não seja essa.

domingo, 21 de junho de 2026

O regime mudou. Ou mudou a narrativa?

Donald Trump encarna o mundo de Orwell da pós-verdade, em que os factos se submetem à narrativa do momento, e as contingências desse momento são retrospetivas, ou seja, ajudam a recompor a história e a memória.

É, por isso, que o memorando de entendimento negociado com o Irão nos é vendido como uma vitória retumbante pelo presidente norte-americano, porque a urgência é maior do que as tecnicidades políticas de um conflito que só por ilusão de glória Trump achou que poderia ganhar.